
Reservo-me o direito de julgar previamente as pessoas (à
posteriori já me parece demasiado tarde), seja pelos seus actos, pelo seu aspecto, pelo seu cheiro, pelo seu nome, pela voz, pelos amigos, pelo que comem, etc, etc, etc. Julgo, critico e ponho de parte tendo apenas como base as primeiras impressões.
É intuição feminina, pode pensar-se. É. Uma forma sublime de dizer preconceito, intuição. É mais feminina, porque as mulheres são mais rápidas e eliminam logo à partida o que não deve interessar. Os homens engonham mais.
Acredito que é uma necessidade básica do ser humano, ser-se preconceituoso. Se não perde-se muito tempo.
Também acredito (ok, admito que já são demasiadas crenças para quem se diz céptico, mas não é preciso acreditar em tudo o que digo...) que o cérebro quando usado para pensar produz efeitos fascinantes. Por isso opto por ostracizar todos aqueles que julgo que não usam, ou usam pouco, ou usam de forma que considero errada, os cérebros.
Opto por ser pedante e armar-me em superior (e não raras vezes gozar) com gajos que me tentam seduzir com coros rascas. Com gente que considero parolos armados em finos. Com pessoas que eu acho que têm a p... da mania (para isso estou cá eu!).
Acho que os vegetarianos são parvos. E armados em superiores, que ainda é pior.
Acho que pessoas que usam rastas, piercings, tatuagens e roupas que parecem pijamas vestidos por cima de carpetes e fatos de treino são básicas com a mania da profundidade... enfim freaks.
Gente que diz que tem muitos problemas e é muito infeliz, é porque não tem que fazer na vida.
Os homens são sempre menos inteligentes que as mulheres.
Mulheres que usam botas de tacão alto, jóias que as fazem parecer uma árvore de natal e perfumes para cheirar na Muralha da China, têm o pito aos saltos. Assim como aquelas que ouvem Shakira, Beyoncé e David Fonseca.
Evito sequer aproximar-me de indivíduos que cheirem mal... vinho incluído (a propósito, ontem fui pseudo-insultada - pseudo, porque o homem não tinha capacidade para chegar ao insulto - por um homem que se tentou aproximar de mim com um tresando a vinho, sebo e transpirado, para me vender qualquer coisa, supostamente para ajudar não sei quem. Nem o deixei sequer chegar perto - apenas o suficiente para começar a sentir o aroma... - disse-lhe que escusava de perder tempo, o meu e o dele, e ele amuou e começou a desatinar alto, para que os restantes ocupantes da mesma esplanada que eu pudessem também perder qualquer vontade que tivessem de lhe comprar algo, mesmo antes de o cheirarem. A isto eu chamo atitude altruísta!).
Não me atraem homens baixos (não que eu seja muito alta, não sou, sou normal, para portuguesa... Se fosse Alemã, ou Sueca, era anã, como sou portuguesa, estou na média...), mesmo que giros, simpáticos e charmosos, meias-lecas não me dão tesão. E se derem erros a escrever, matam-me a líbido para o resto da vida (mas isto até os mais altos).
Não suporto gente que diz coisas como "Ah, os emigrantes de leste..." ou "Ah, os pretos...", ou "Ah os árabes..." ou "Ah as mulheres..." enfim, no geral, pessoas que são racistas e preconceituosas, acho que são burras e ressabiadas.
É um sem número de preconceitos que acarinho e faço por manter, que me rege o dia-a-dia. Eventualmente, e muuuiito raramente, engano-me nos julgamentos prévios que faço, mas não admito, nem digo a ninguém, finjo que nunca pensei assim. Afinal de contas, Eu tenho sempre razão!